SÉRIE: Janelas da Alma - Capitulo 09

Capitulo 09: O Verdadeiro Culpado

Texto Base - Salmo 106


Introdução: O Livro IV do Saltério(90-106) nos apresenta diretamente como pano de fundo, a realidade do exílio babilônico sobre o Reino de Judá/Reino do Sul. A sessão IV nos revela como o povo de Deus lidou com esta realidade.

E neste capitulo, analisaremos o salmo 106. Em seu contexto, podemos aprender na História de Israel, os motivos que levaram a justa punição divina sobre o povo, e principalmente o que o povo deveria fazer diante dessa realidade.


I – Uma Oração por Salvação: Ainda que o salmo trate da confissão de pecados do povo pela boca do salmista; o tom inicial do cântico é de ações de graças – 106.1. A situação testemunhada pelo salmista, não o impede de render graças ao Senhor por causa de Sua misericórdia e bondade.

De modo que a misericórdia divina é a verdadeira razão da oração do salmista, na esperança da restauração do povo. Sendo toda a petição, feita ao Senhor na esperança de que Ele tenha misericórdia de quem o está invocando:


Lembra-te de mim, SENHOR, segundo a tua bondade para com o teu povo; visita-me com a tua salvação – 106.4


O salmista espera ser alvo da bondade divina, para que venha a contemplar dias melhores – 106.5.


II – Confissão: A petição em favor da misericórdia divina ao salmista, é seguida de uma longa confissão, que compõe grande parte do cântico – 106.6-46. Contudo, o salmista não traz à tona os pecados da nação como alguém imparcial. Vejamos a sua confissão:


Pecamos, como nossos pais;

cometemos iniquidade, procedemos mal – 106.6


O padrão de cada evento relembrado pelo salmista é divido assim:


° O povo não atentou para a misericórdia de Deus, por isso, pecou;

° O Senhor novamente demonstrou misericórdia, mas o povo permaneceu no pecado;

° Logo, cumprindo as palavras proféticas de Moisés – Dt 31.14-23, sobre eles se abateu o exílio.


Assim, o salmista e o povo compreendem que o castigo divino por meio do exílio era justo. Apesar das diversas manifestações da misericórdia de Deus, o povo permaneceu em sua rebeldia, multiplicando pecado sobre pecado. Levando o Senhor à ira. O resultado disso foi o exílio e o fim da monarquia davídica.


III – O Silêncio Sobre os Pecados Reais: Na lista de pecados confessados no Salmo 106 não há qualquer menção a desvios praticados pelos reis de Israel e Judá. Por exemplo, a idolatria de Salomão através de seus milhares de casamentos com estrangeiras, ou Manassés sacrificando seu filho à Moloque. Pecados estes, em certa medida, inclusos generalizados pelo salmista.


IV – O Principal Pedido do Povo de Deus: No último verso deste Salmo, há um pedido bem especifico:


Salva-nos, SENHOR, nosso Deus, e congrega-nos de entre as nações, para que demos graças ao Teu santo nome e nos gloriemos no teu louvor – 106.47


O salmista se vê como parte de um povo que foi exilado entre as nações. Por isso, há também o pedido para que o Senhor restaure a nação à sua condição original, perdoando seus pecados.

O salmista havia entendido que chegara a hora de confessar os seus pecados e de pedir ao Senhor que resgatasse o Seu povo de entre as nações. Algo também feito por outro remanescente do povo de Deus, Daniel – Dn 9.1-19.


V – Por Que Deveria Haver Esperança de o Pedido ser Atendido?: Desde o principio, o salmista é exclusivamente pela misericórdia do Senhor que ele se apresenta em oração na presença de Deus – 106.1.

A misericórdia divina é portanto, o fundamento sobre o qual o salmista se apoia.

A cada pecado confessado, o salmista também recorda atos divinos de misericórdia em favor de um povo pecador – 106.8-12;23;43.

Dito isto, enquanto confessa, o salmista também embasa a sua confiança de que o Senhor, pela Sua misericórdia, revelará o seu perdão – 106.44-46.

O Deus da Aliança se compadeceria do Seu povo mesmo em meio à sua disciplina. O salmista confia então, na misericórdia de Deus para fazer o seu último pedido – 106.47.


Conclusão: O Salmo 106 se junta ao Salmo 32 como um testemunho de que o povo de Deus deve confessar os seus pecados. Conosco não é diferente. Salvos pela graça, somos exortados pelo Senhor a confiadamente nos aproximarmos de Seu trono de graça a fim de recebermos socorro em ocasião oportuna, Hb 4.16. Mas a diferença é que Aquele que intercede a nosso favor, Jesus, não tem pecados para confessar, como o povo de Israel, Hb 4.14-15.


Juliana Correia 

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