História da Igreja: A Tragédia em Guanabara

 Uma Data a se Celebrar e Recordar


No dia 10 de março, celebramos a origem de fato do Protestantismo no Brasil. Pois foi exatamente em 10 de março de 1557 que aconteceu o primeiro culto reformado em solo brasileiro.

Numa pequena ilha do Rio de Janeiro, no interior da Baía de Guanabara, conhecida atualmente como Ilha de Villegaignon, aconteceu o primeiro culto protestante na história do Brasil e das Américas, organizado por um grupo de pastores e missionários franceses. Desde 2005, a data é considerada efeméride(fato importante) no calendário nacional e comemorado anualmente pelos cristãos brasileiros.

O culto foi conduzido pelos pastores ordenados Pierre Richier e Guillaume Chartier e a palavra embasada no Salmo 27.4: “Ao Senhor Eterno peço somente uma coisa: que Ele me deixe viver na sua casa todos os dias da minha vida, para sentir a sua bondade e pedir a sua orientação”.

O primeiro culto protestante marcou um momento histórico ímpar e ainda pouco conhecido pelos brasileiros, em geral, porque depois de ter sido colonizado por países de cultura católica-romana e do forte trabalho de catequese, principalmente dos jesuítas, eis que 57 anos depois da descoberta do Brasil, doze huguenotes — protestantes franceses —, enviados por João Calvino na colonização francesa na Baía da Guanabara (França Antártida, 1555–1560), oficiam um culto a Deus, segundo a liturgia cristã reformada.

Mais do que um contraponto religioso, o evento culminou na confissão protestante conhecida como Confesso Fluminense, o primeiro documento teológico das Américas, em 8 de fevereiro de 1558 e no primeiro martírio de crentes protestantes no Brasil. Portanto, é um marco da história da incipiente e frágil liberdade religiosa no país, que ainda teria um longo caminho até que Estado e Igreja passassem a ser separadas no Brasil”, afirma o chanceler do Instituto Presbiteriano Mackenzie, reverendo Robinson Grangeiro Monteiro.

Villegaignon E Os Huguenotes (1555-1567): A expedição missionária começou anos antes, em 1555, quando um grupo de franceses atracou na Baía de Guanabara, liderado por Nicolas Durand de Villegaignon e com o apoio do almirante Gaspard de Coligny (1519–1572), aspirante a correligionário dos franceses (huguenotes). É provável que seu interesse tenha sido puramente comercial, mas os huguenotes que vieram com ele como colonizadores não compartilhavam da mesma ambição do almirante.

Inicialmente, Villegaignon demonstrou simpatia com a fé cristã protestante e, inclusive, chegou a escrever cartas endereçadas ao reformador João Calvino que vivia em Genebra, na Suíça, para pedir que missionários viessem até a colônia brasileira em que ele atuava para contribuir com a propagação do Evangelho.

A expedição que chegou em 1557 com um grupo pequeno de huguenotes estava sob a liderança dos pastores Pierre Richier e Guillaume Chartier. Dentre os membros, estava Jean de Léry, autor da obra Histórias de uma viagem à terra do Brasil (1578). Esse grupo, então, foi o responsável por celebrar o primeiro culto protestante em terras brasileiras. Apesar de inaugurarem a primeira celebração cristã reformada, não demorou muito para que Villegaignon e os missionários tivessem alguns conflitos por questões teológicas.

O pastor Chartier retornou para a França e os demais colonos foram retirados à força do local em que vivam. Entretanto, o navio em que a maioria estava sofreu alguns problemas e, por esse motivo, cinco deles pediram permissão para permanecer no Brasil — Jean de Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André Lafon e Jacques le Balleur — que, juntos, escreveram a Confissão de fé de Guanabara (1558), conhecida também como Confissão fluminense.

A tese da Confissão de fé de Guanabara (1558) abordou questões como a doutrina da Trindade, os sacramentos, o livre-arbítrio, a autoridade dos ministros, a vida amorosa e a intercessão. Contrariado pela proatividade e liberdade de pensamento dos missionários, Villegaignon ordenou a execução de Jean, Matthieu e Jacques sob alegação de heresia e poupou André, pois ele era o único alfaiate da colônia. Le Balleur conseguiu fugir para o litoral, mas depois foi preso em Salvador e assim permaneceu até 1567, quando foi enforcado pelos portugueses.

Fato Histórico: O SANTO QUE ANCHIETA MATOU:

Quase ninguém conhece a história de Jean Jacques Le Balleur, também conhecido como João de Bolés. Ele foi um simples alfaiate hunguenote, nascido na França mas educado em Genebra. Diz a história que em 1557 foi enviado, junto com outros cinco missionários, por João Calvino para ministrar aos franceses da conhecida expedição de Nicolau Durant de Villegaignon ao Brasil, para o que viria a ser chamada de França Antártica.

Ministro calvinista, ele participou o primeiro culto evangélico do Brasil em 10 de Março de 1557, e no dia 21 celebraria a primeira Santa Ceia. A história nos diz que Villegaignon, depois de ter retornado à fé catóica, obrigou os ministros a responderem um formulário sobre suas crenças, gerando a chamada “Confissão de fé Fluminense” – a primeira do gênero das Américas – para, logo em seguida condená-los à morte.

Jacques Le Balleur conseguiu fugir para o continente e conseguiu ir até São Vicente, sendo poupado de ser devorado pelos índios por estar com um livro, que os Tupinambás pensaram ser a tão esperada e prometida Bíblia, que era tida como um amuleto. Tratava-se de uma peça de Rabelais.

Em São Vicente os jesuítas forçaram a Câmara para prendê-lo em 1559. Foi torturado para dar informações estratégicas do Forte Coligny. Levado a Salvador, onde Mem de Sá concordou em condená-lo por ser seguidor da fé protestante.

Em 1567 foi levado ao Rio de Janeiro, onde seria executado, mas o carrasco recusou a matá-lo. E em 9 de fevereiro de 1568, o Padre José de Anchieta estrangulou-o.

Para Nossa Reflexão:

A fé cristã, em uma de suas metáforas mais conhecidas na Bíblia, é coluna e baluarte em que o povo de Deus e a Igreja de Jesus Cristo receberam a incumbência de nutrir nos corações, educar as gerações e proclamar a todos. Uma coluna é um marco que traz lembranças e lições para não ser esquecida. Uma espécie de memorial intangível representado em algo concreto, que nos inspira a fidelidade aos que erigiram o primeiro culto protestante no Brasil.

A Escritura Sagrada afirma que não devemos remover os marcos antigos. Eles estruturam a nossa fé e a nossa vida. Por outro lado, um baluarte é uma fortificação de onde se defende as posições em uma guerra e de onde se ataca os inimigos. “Hoje, vivemos uma guerra cultural feroz por mentes e corações. Um processo avançado de secularização, que tenta remover Deus da vida pública para restringi-lo à ambiência privada, como se toda a civilização ocidental não tivesse nos fundamentos judaico-cristãos a sua origem”, diz o chanceler.

Portanto, como os huguenotes que promoveram o primeiro culto de fé cristã reformada em solo brasileiro, o cristão deve permanecer firme em seus valores de vida. “É preciso marcar posição com verdade e amor, porque as nossas armas não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando em nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus. Levar cativo todo pensamento à obediência de Cristo, o único Rei e Senhor de tudo e de todos, essa defesa torna-se proclamação e vivência da fé, além de refúgio para a alma cansada”, finaliza o chanceler, reverendo Robinson Grangeiro.



Juliana Correia

Evangelho Saudável



Bibliografia Consultada:

Cairns, Earle Edwin, O cristinanismo através dos séculos: uma história da igreja cristã, São Pualo, Vida Nova, 2008

Silvestre, Armando Araújo, Calvino: o potencial revolucionário de um pensamento, São Paulo, Vida, 2009

Revista Mackenzie Digital 88 : acesso em 09/03/2025

O SANTO QUE ANCHIETA MATOU – Rev. Padre Jorge Aquino + : acesso em 09/03/2025





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

SÉRIE: O que a Bíblia ensina sobre a Doutrina da Soberania e a Providência Divina - Capitulo 10

SÉRIE: O que a Bíblia diz sobre a Doutrina da Soberania e a Providência Divina - Capitulo 08