SÉRIE: Janelas da Alma - Capitulo 07

Capitulo 07 – O Triunfo dos Inimigos e o Pastoreio do Senhor

Texto Base: Salmo 79


Introdução: No capitulo anterior, aprendemos como o salmista refletiu sobre a aparente prosperidade dos ímpios e como o Senhor preservou o seu coração de manter dúvidas perigosas. Neste Salmo, analisaremos situação semelhante.

O Salmo 79 é o mais triste lamento coletivo do Saltério. No seu contexto, os judeus que viram de perto a destruição de Jerusalém, do seu templo e a tomada da terra pelo Império Babilônico; questionam até que momento o Senhor permaneceria em “silêncio” quanto à vingança de seus inimigos.


I – O Evento que Ocasionou o Lamento: O Salmo 79 inicia com a triste descrição da destruição de Jerusalém. Assim, como já dissemos na Introdução, o contexto deste Salmo é possivelmente o exílio babilônico – 79.1-4.

Para entendermos brevemente o assunto; o Império Babilônico promoveu três grandes investidas contra o Reino do Sul. A primeira foi em 605 a.C., que causou a deportação da realeza de Judá. A segunda, ocorreu por volta do ano 598 a.C., que trouxe uma segunda leva de judeus ao exílio. E por fim em 586 a.C., a terceira e última investida como uma forma de reprimir uma possível rebelião judaica contra o domínio de Nabucodonosor.

É possível perceber que a preocupação do salmista vai muito além da mera situação imediata que testemunha. O foco do salmista é como o Senhor trataria de toda a situação. E diante da calamidade, o salmista clama ao Deus de Israel, pois sabe que o contexto vivido é apenas um retrato visível de uma calamidade muito maior.


II – Até Quanto o Senhor Ficará Irado? O questionamento do salmista é direto - “Até quando, Senhor? Será para sempre a tua ira? Arderá como fogo o teu zelo? - 79.5

A interpretação mais comum, é que esse sofrimento, de algum modo faz parte da disciplina divina. O outro pouco provável, é o de que pode ser também uma provação.

Diante disso, o salmista constata que a destruição de Jerusalém é resultado da justa ira divina por causa dos pecados do povo. Contudo, há também uma clara expectativa do salmista de que esse período disciplinar chegue ao fim.


III – A Expectativa de Vingança Contra os Inimigos: A pergunta a fazer é – se o Senhor está irado contra o Seu povo, por que o salmista continua sua oração, pedindo para o Senhor punir as nações que não O conhecem?

Um dos conceitos teológicos mais importante e mais mencionados no AT em relação à Israel, é conhecido como o remanescente. Israel foi separado pelo Senhor para ser a Sua propriedade, a Sua nação exclusiva e um reino de sacerdotes – Êx 24.1-7. Contudo, o povo da Aliança falhou em guardar a mesma; o que causou como justa disciplina, o seu exílio e consequente expulsão da terra.

Porém, é necessário ressaltar que nem todos se desviaram. Nos dias do profeta Elias, o Senhor confortou o seu servo ao revelar a existência de 7 mil fiéis ao Deus de Israel. E o mesmo aconteceu nos tempos do exílio. Muitos justos permaneceram fiéis ao Senhor.

De modo que este Salmo é também um clamor pela misericórdia do Senhor. Os que clamam são o remanescente, que pede ao Senhor não os tratar como a seus pais, os de fato culpados pelos pecados da nação – 79.8. O remanescente espera tanto misericórdia quanto justiça – 79.9-10.


IV – O “Paradoxo do Exílio: Por que Deus trouxe exílio sobre o Seu povo? Este era o questionamento do salmista. Porém, é justamente para ensino ao Seu povo, que o Senhor revela um dos principais aspectos da Sua misericórdia. Ele, movido pelo amor disciplina o Seu povo, contudo não sem assumir um auto custo.

Os cristãos conhecem um momento muito semelhante – o momento em que Deus leva sobre Si o castigo que deveria ser imposto ao Seu povo. Jesus, sobre o madeiro, também foi zombado pelos seus inimigos, Mt 27.43.


V – O que Será de Israel sem Davi?: O Salmo 79 é uma expressão do modo como os judeus tentaram lidar com a realidade do triunfo de seus inimigos sobre eles. E o exílio foi a maior derrota para a nação. Contudo, mesmo depois do retorno, um detalhe sobre o passado deles permaneceu ausente por ocasião da dominação persa – NÃO HÁ MAIS rei da dinastia davidica. A monarquia não existia mais e Judá não era mais uma nação soberana. Por isso a pergunta do salmista - “O que será de nós sem Davi e seus descendentes?

Qual foi o papel de Moisés, Arão, Davi sobre Israel? Resposta: eles foram pastores que guiaram o povo. E por causa do exílio, Judá vivia um período em que não havia mais Moisés, Arão ou Davi sobre si. O salmista testemunhou que mesmo naqueles dias sombrios, o Senhor permanecia como o pastor que cuida, mesmo quando usa o cajado para disciplinar suas ovelhas.

Esse é o motivo no coração do salmista da esperança de tempos melhores, porque enxergava o Senhor cuidando do povo, apesar de não ter mais um rei humano sentado no trono de Judá. E assim permaneceram por quase 600 anos sem um rei. E infelizmente, este nasceu, não o reconheceram como tal…


Conclusão: Qual é a nossa reação quando estamos sob a disciplina de Deus? Murmuração e tristeza? Cristãos maduros entendem que, se pecaram e se são alvos da disciplina de Deus(inclusive por meio do governo da Igreja); isso é um motivo para reconhecermos que o Senhor está cuidando deles. O Salmo 79 nos ensina esta realidade. Portanto, quando estiver sob a disciplina do Senhor, reconheça o cuidado Dele por trás dela.


Juliana Correia


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