SÉRIE ALIANÇA - Capitulo 07

Capitulo 07: Obediência à Aliança

Texto Base: Isaías 6.1-13


Introdução: Nossa cultura necessita de reconciliação com Deus e de restauração à luz das Escrituras. Deus chamou a família cristã para uma Aliança da qual decorrem normas. Normas essas que vinculam o Povo da Aliança ao Deus da Aliança; e ao qual deve obediência plena, inclusive como forma de culto à Deus. O encontro de Isaías com a glória de Deus o lançou e a sua família em uma vida de justiça, misericórdia e humildade.


I – A Visão de Isaías: Nesta visão que o profeta teve do Senhor, dois nomes são usados para se referir a Deus. Adonai ou Senhor, significa Soberano. E Yahweh, que é o Nome Pessoal de Deus comunicado a Moisés, e a partir do qual Deus é lembrado como Deus da Aliança. A repetição da expressão santo, aponta para a incomparável Santidade de Deus. A reação do profeta frente a tal visão, não poderia ser outra, 6.5. Mas a resposta de Deus aponta para a Sua misericórdia aos humildes e arrependidos. A brasa tirada do altar simboliza purificação. E quando Deus faz a pergunta, o profeta sequer hesita, 8.

O chamado profético de Isaías parece contraditório. Ele viu o Soberano, e ao mesmo tempo ouviu que sua mensagem seria rejeitada. Contudo, havia esperança para o remanescente fiel. E sempre haverá, porque Deus é o guardador fiel do Pacto, 13. O remanesce fiel é a santa semente.


II – A Família de Isaías: Essa aparente contradição no ministério de Isaías não é incomum. Na realidade, é difícil viver na contramão deste mundo e não sermos rejeitados. Isaías sabia disso, mesmo assim não hesitou. Ele havia contemplado a glória de Deus. Havia visto o Soberano e seu trono. Veja, o profeta não foi chamado para ser “bem sucedido”. Ele foi chamado para obedecer.

Mas ele fez mais. Levou sua família junto. Ela tornou se parte de sua mensagem, Is 7.3. O nome de seu primogênito é uma clara declaração da fé do profeta na promessa Pactual. O rei e todo o povo haviam quebrado a Aliança e seriam abandonados. Contudo o remanescente sobreviveria para cumprir a promessa de Deus, de salvar um povo para Si. O nome do segundo filho, também parte da mensagem do profeta ao povo, Is 8.1.

Isaías sabia de antemão que teria um ministério difícil. Mas Isaías havia visto o Santo Soberano. Ele não teve medo de se envolver sua família em seu chamado. Era uma família voltada para fora, que enfrentava um mundo hostil com uma mensagem dura de juízo mas também de esperança.


III – A Mensagem de Isaías: Após anunciar o iminente exílio, Isaías fala da redenção e do retorno do povo à terra da promessa. Os cap. 54 e 55 falam da renovação do Pacto. É uma mensagem de esperança de fato; mas é também um chamado ao arrependimento, Is 55.7-8. O arrependimento é um elemento essencial do Evangelho da graça, veja Lc 13.5.

E é no cap. 56, que o profeta passa a mostrar como é uma vida de arrependimento. Ela começa com o culto, e segue em justiça, misericórdia e humildade. O que vemos neste texto é um contraste entre o verdadeiro e o falso culto, narrado pelo profeta. A Bíblia ensina que o culto é a atividade de reconhecer a grandeza do nosso Senhor pactual. Não é realizado para nós, mas para aquele que buscamos honrar… O culto precisa ser SEMPRE centrado em Deus e em Cristo.

Nos dias do profeta Isaías, um dos muitos pecados praticados por Israel era a aparência de uma vida piedosa. As pessoas faziam tudo “certinho”, simulando o culto; mas sem por a alma nele. Como profeta enviado por Deus, Isaías denuncia este pecado do povo diante de Deus, o que nos leva a uma reflexão muito importante. O contraste que Isaías faz entre a verdadeira e a falsa adoração, nos leva a entender que o culto é mais do que simplesmente “congregar aos domingos”. O culto é um estilo de vida, que culmina entre outras coisas, na reunião da Comunidade da Aliança no dia do Senhor.

Isaías neste texto, nos apresenta três das características do verdadeiro culto:


1. o verdadeiro culto caracteriza-se pela guarda do sábado1 - Is 58.13

2. o verdadeiro culto caracteriza-se pela humildade – Is 57.15

3. o verdadeiro culto caracteriza-se por uma vida de justiça e misericórdia – Is 58.6-7.


A mensagem detalhada de Isaías sobre o verdadeiro culto a Deus, é apresentado resumidamente pelo profeta Miquéias: Ele te declarou, ó homem, o que é bom e o que é que o Senhor pede de ti; que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus – Mq 6.6-8. O culto e o arrependimento são fonte de uma vida de justiça, misericórdia e humildade. E esse é um estilo de vida e um valor familiar. O coração da família que acolhe este principio, terá paixão pela justiça e amor pela misericórdia; porque ela se curva humildemente diante do Deus soberano.


IV – Ensinando às Crianças o Mandato Espiritual: As crianças devem ser ensinadas a obedecer ao mandato espiritual. Elas são parte da família real de Deus e são chamadas a responder à comunhão que Deus estabeleceu entre Ele, os pais e os filhos. É um relacionamento pessoal. Os pais devem ensinar as crianças sobre essa comunhão que Deus estabeleceu com eles e como eles devem responder.

Para obedecer a este mandato, vivê-lo, ensiná-lo e demonstrá-lo no lar; a certeza de que Deus existe deve estar presente no seio familiar, nos pais e líderes, de que Ele é o Senhor soberano sobre tudo e todos sob seu reinado, especialmente os da família. Somos chamados a responder, obedecer, servi-lo e ter comunhão com Ele.

Os pais são exemplo aos filhos ao ensinar e VIVER essa comunhão com o Deus da Aliança. Por essa razão, é impossível aos pais ensinar seus filhos a viver essa comunhão com Deus, se eles não a experimentam! A Bíblia deve ser manuseada diariamente. Deve ser lida e discutida, Dt 6.11-18; Sl 78.1-8; Ef 6.1-4. Os pais devem conversar com os filhos e escutá-los. Devem mostrar seu amor por Deus enquanto executam suas atividades do dia a dia, assim demonstrando esse relacionamento espiritual com Deus.

Conclusão: O conhecimento da soberania, da santidade, da graça e da misericórdia purificadora de Deus motiva a família a adotar este principio na família como estilo de vida. É esse conhecimento que desenvolve a reverência, a humildade e a gratidão que impulsionam a família a praticar a justiça e a misericórdia.


Juliana C. de Souza


1Para uma explicação mais aprofundada quanto a guarda do Dia Santo para o Cristão, leia o Estudo sobre O Cristão e Os Dez Mandamentos em: https://evangelhosaudavel.blogspot.com/2019/05/serie-os-dez-mandamentos.html

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