SÉRIE ALIANÇA - Capitulo 06
Capitulo 06: Filhos Herdeiros
Texto Base: Atos 2.37-41
Introdução: O ambiente acolhedor do que conhecemos por lar evangélico ou lar cristão repousa sobre o principio da instrução nas Escrituras. O lar cristão deve ter como base espiritual, centralidade em Deus, que contribua para o crescimento na graça. A família cristã deve ser forjada nos valores e princípios das Escrituras. Deve ser fonte e canal de benção para si própria e para a geração seguinte, assim como recebeu a instrução da geração anterior. Além disso, deve ser benção para todas as famílias próximas, sendo sal e luz, segundo Jesus.
I – Herdeiros da Promessa: A pregação de Pedro apontou para a benção e promessas da Aliança.
Esta foi a promessa do Pacto feita a Abraão; veja Gen 17.1-7. Isso tem a ver conosco e com nossos filhos, pois também nós somos descendência espiritual de Abraão; veja Gl 3.29. Desse modo, o reino físico de Israel, do AT, prefigura ou aponta o reino espiritual do Novo Testamento.
O Pacto de Deus com a Sua Igreja dá aos pais crentes uma promessa de bençãos espirituais e salvadoras para seus filhos. A promessa é que ele será Deus para eles e para a semente deles.
Este principio precisa ser posto em prática. Nossos filhos precisam saber que são herdeiros da promessa e que vivem na esfera do Pacto. Devemos ensiná-los a amar e valorizar a família e a Igreja. E eles veem o exemplo disto nos pais: se eles amam, se envolvem na vida na Comunidade da Aliança.
II – Herança do Senhor: Os filhos são filhos do Pacto, e são recompensa para a Comunidade da Aliança; Sl 127. São cumprimento da promessa feita a Abraão, de que seus descendentes seriam uma nação poderosa. Fato é que nossos filhos são mesmo dádivas do Senhor. E por isso como pais, temos o dever de sermos bons mordomos deste tesouro que Deus nos confiou. Somos responsáveis por cuidar de sua formação. É um dever sagrado.
III – A História de Timóteo: A história do jovem pastor Timóteo, é um bom exemplo do modelo pactual. Seu pai não era cristão. Porém sua mãe era cristã, assim como sua avó; portanto, ele era herdeiro da promessa. Sua mãe e sua avó eram boas despenseiras desse privilégio; 2Tm 1.5; 3.15.
A Comunidade da Aliança também assumiu sua responsabilidade com o pequeno Timóteo. Os irmãos na fé “davam bom testemunho” de Timóteo; At 16.2. E esse bom testemunho da Igreja a respeito do jovem, motivou o apóstolo Paulo, a envolver Timóteo nas suas viagens missionárias.
Também nos é relatado que Paulo foi um pai espiritual para o jovem pastor. Ele foi chamado de “verdadeiro filho na fé”; 1Tm 1.2. Investiu muito nele. E deu testemunho sobre isto; veja Fp 2.19-22.
Além disso, Timóteo tinha sincero interesse no bem estar dos outros por amor ao Reino. Ele aprendeu o caminho da sabedoria e foi aprovado à medida que aplicou o conhecimento de Deus a várias situações e relacionamentos. Paulo viu os resultados deste investimento, e o encorajou a fazer o mesmo; 2Tm 2.1-2.
IV – Consagração dos Filhos dos Crentes: Uma compreensão de que nossos filhos são herdeiros da promessa resulta no modo que adotamos para consagrá-los.
O batismo dos filhos dos crentes – o pedo batismo, de acordo com as Escrituras, tem sido a prática histórica de algumas igrejas evangélicas, como a Presbiteriana.
A base bíblica para o batismo dos filhos dos crentes é o paralelo entre a circuncisão do AT e o batismo no NT; como sinais e selos da Aliança da graça; Gn 17.11; Rm 4.11; Cl 2.11-12; 1Co 10.1-2.
João Calvino, expondo sobre a importância do batismo dos filhos dos crentes, defende a tese que:
Já não há ninguém que não veja que o batismo infantil não foi algo humanamente inventado, uma vez que se baseia em tão grande aprovação da Escritura. Nem de forma muito brilhante vociferam os que fazem a objeção de que em parte alguma se acha sequer uma criança sendo batizada pelas mãos dos apóstolos. Pois embora isso não seja expressamente narrado pelos evangelistas, como elas não são excluídas sempre que se menciona que uma família foi batizada, quem, a não ser que seja um demente, não concluiria que crianças, nessas ocasiões, foram de fato batizadas?
Caso argumentos deste gênero tivessem alguma força, as mulheres deveriam ser igualmente impedidas de participar da ceia do Senhor, pois não lemos que elas foram admitidas à ceia no tempo dos apóstolos. Mas também aqui nos contentamos com a regra da fé, pois quando avaliamos qual é o propósito da instituição da ceia, fica fácil concluir a quem deve ser comunicado seu uso[que se estende neste caso, também às mulheres]. Observamos isso também no batismo. Com efeito, quando atentamos para o propósito de sua instituição, vemos claramente que o batismo pertence tanto às crianças quanto aos mais avançados em idade. Consequentemente, as crianças não podem ser privadas dele sem que se faça manifesta infidelidade ao desígnio de Deus, seu autor.1
Se as crianças são consideradas membros da Comunidade visível do Pacto, junto com seus pais, é necessário dar-lhes o sinal de status do Pacto, e do lugar delas na Comunidade da Aliança. Assim, o debate que se trava não é sobre a preparação das crianças, mas sobre a maneira de Deus definir a Igreja.
Conclusão: É por crermos que as promessas de Deus são para nós e nossos filhos que os levamos ao batismo logo após seu nascimento. Isso, cono vimos, longe de implicar uma crença errônea, como a dos romanistas de que o batismo salva por si só; implica fé profunda dos pais nas promessas pactuais de Deus. E mais, representa compromisso público dos pais de que educarão seus filhos segundo os princípios bíblicos, formando assim uma nova geração no povo da Aliança.
Juliana C. de Souza
1As Institutas, Livro IX, Cap. XVI, Parágrafo 8. São Paulo, Cultura Cristo, 2022
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