SÉRIE: Janelas da Alma - Capitulo 06

 Capitulo 06 – Por Que os Impios Prosperam?

Texto Base: Salmo 73


Introdução: Na vida cristã, nem todo ensino do Senhor ao Seu povo é de fácil compreensão. Pela fé, descansamos, ainda que não entendamos; pois uma vez que, Aquele que nos ensina também revela Sua graça.

Uma famosa frase que todo cristão pelo menos uma vez na vida faz é: por que o crente sofre? Esta é sem dúvida alguma uma confusão na cabeça de qualquer cristão sincero. Outra dificuldade semelhante, é o estranho fato de ímpios prosperarem em um mundo governado por um Deus que é justo. Isto colocado, temos a pergunta, titulo do capitulo: por que os impios prosperam?

O salmo 73 trata justamente dessa tensão, buscando responder essa pergunta que eventualmente se instala na mente e do coração daqueles que temem ao Senhor.


I – A Estratégica Posição do Salmo 73 no Livro dos Salmos: Quem organizou a composição/divisão do Saltério, entendeu que um grande número de orações de Davi foi encerrado no final do salmo 72 – 72.20.

Dito isto, o salmo 73 inicia um novo período ou coleção entre os salmos 73 e 89, conhecido como Livro III. Esta sessão ou volume, inicia com o salmista “rasgando” seu coração na presença do Senhor – 73.1-2 e termina com os arrogantes inimigos do Senhor proferindo injúrias e insultos contra o rei ungido do Senhor – 89.50-51. A sessão dos salmos 73 e 89 visa lidar justamente com a tensão da prosperidade dos ímpios versus o suposto silêncio de Deus frente a desolação do Seu povo.

O Senhor nutre no povo de Israel a expectativa do cumprimento de várias promessas relacionadas ao Reino de Deus, especialmente em relação ao Messias. Contudo, Israel começou a ver que os inimigos não só estavam em plena rebelião contra Deus, como conseguindo derrotar o povo de Deus. Os salmos 73 a 89 por exemplo, são uma coleção de lamentos coletivos a respeito do triunfo dos inimigos sobre Israel.

Assim, o editor iniciou o livro mais triste do saltério, lançando perguntas como estas: 1. por que os impios prosperam apesar das promessas de Deus em favor do Seu povo?; 2. como o povo de Deus pode confiar no Senhor apesar de ver os impios prosperando?; 3. o que foi feito das promessas feitas a Davi pelo Senhor?


II – A Perspectiva Inicial do Salmista Diante da Prosperidade dos Impios: Por causa de suas conquistas, os impios se enchem de orgulho, o que termina na sua completa rejeição ao senhorio de Deus – 2Pd 2.1-2. Diariamente vemos a prosperidade dos impios – 73.12.

VanGemeren refletindo sobre isso, destaca que a vida pode ser muito difícil para justos. Emoções negativas, como a inveja, se fazem presentes, mas o indivíduo precisa tratá-las. Exercício esse, que foi feito pelo salmista, como veremos no salmo 73.


III – A Prosperidade dos Impios: Ao menos três aspectos da vida dos impios são apontados com preocupação pelo salmista: 1. parecia não haver sofrimento para eles; 2. Deus é irrelevante na sua cosmovisão e 3. oprimiam os justos com seu falar.

O primeiro aspecto era aquele que o salmista inicialmente invejava. Pois enquanto via os justos sofrerem, ao mesmo tempo via pessoas arrogantes levando vida tranquila, pois “não partilhavam das canseiras dos mortais – 73.5. Seus esquemas de corrupção não são denunciados. Eles se enriquecem e pelo menos externamente parecem viver sem preocupação.

O segundo, é que os impios vivem em franca rebeldia contra Deus, porque acreditam ser como Ele – autônomos. E uma vez que são ricos e possuem tudo aquilo que acreditam ser o mais importante, rejeitam qualquer noção de que o Senhor se importa com o modo como vivem – 73.11.

E o terceiro é que os impios, uma vez que ignoram que Deus tem interesse em seu comportamento, ditam o ritmo de sua vida com a língua, inclusive a vida dos outros – 73.7-10. Eles enriquecem e também passam a governar e a oprimir os povos.


IV – O Risco de se Considerar a Prosperidade dos Impios de uma Perspectiva Terrena: O salmista confessa os efeitos que ter os olhos fixos na prosperidade aparente dos impios causava em seu próprio coração.

Primeiro, destaca que não soube lidar com esse cenário. Enquanto os impios levavam vida tranquila, ele se sentia afligido e castigado diariamente. É como se sua mente se questionasse e se angustiasse na tentativa de entender por que sofre alguém que faz parte do povo de Deus, do povo da Aliança.

Em segundo, ele confessa que as questões de sua alma estavam restritas a ela – 73.15. Em suas palavras, se simplesmente “pensara em falar tais palavras, já aí teria traído a geração de teus filhos” - 73.15. Assim, é possível ver o salmista colocando freio em seus pensamentos para não correr o risco de continuar especulando a respeito da suposta prosperidade dos impios enquanto os justos estão sujeitos ao sofrimento.

E em terceiro, o salmista confessa o que o levou a encerrar as suas dúvidas. O que trouxe alivio para sua mente e coração foi o fato de ter entrado no santuário de Deus, descobrindo o destino daqueles que são governados pelos seus próprios desejos – 73.16-20.

Conclui-se que o salmista, ao contemplar a beleza do santuário do Senhor, compreendeu que, por mais prósperos que os impios sejam, eles não podem substituir na presença do Deus grandioso que também é justo.


V – A Segurança dos Justos Apesar do Cenário Adverso: O salmo 73 demonstra que a segurança do seu autor e do povo de Deus vai além de meramente conhecer o destino dos impios. Para nós essa segurança é comunicada pelo próprio Deus, que está conosco todos os dias de nossa existência, por mais sombrios que pareçam. Na parte final do salmo, é descrita a transformação que ocorreu com o salmista. Ele termina dizendo que o próprio Deus é a fortaleza do seu coração – 73.26. Por isso, o salmista termina:


Quanto a mim, bom é estar junto a Deus;

No Senhor Deus ponho o meu refúgio,

para proclamar todos os seus feitos – 73.28


Conclusão: O salmo 73 abre uma seção do saltério marcada pela reflexão sobre por que o povo de Deus sofre enquanto os impios muitas vezes parecem apenas prosperar nesta vida. Estas reflexões levaram o salmista a entender que aquele que governa todas as coisas é maior do que aqueles que se rebelam contra Ele.


Juliana C. de Souza


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