SÉRIE: Janelas da Alma - Capitulo 03

Capitulo 03 – Um Reino de Refúgio

Texto Base: Salmo 2


Introdução: Como vimos no capitulo anterior, assim como o Salmo 01, este não possui um título nem menciona o seu compositor, e compartilha de alguns pontos semelhantes com o Salmo 01, como a comparação antagônica entre dois estilos de vida – a do bem aventurado e a dos ímpios.

Contudo, o pano de fundo do Salmo 02 abrange algo um tanto mais amplo no antagonismo entre justo e ímpio – os reinos do mundo em oposição ao rei ungido de Israel e ao Deus de Israel.


I – A Rebelião dos Reis da Terra: Este salmo apresenta como contexto principal o curso da História humana do ponto de vista divino. O salmista inicia com uma pergunta retórica, 2.1. A descrição dos versos 1-3 apontam para a imagem de uma assembleia ou ajuntamento furiosa, gritando a plenos pulmões por autonomia.

Alguns detalhes nos chamam atenção neste salmo. Em primeiro lugar, é uma rebelião relacionada à imaginação de coisas vãs. O termo hebraico traduzido para imaginam é o mesmo termo utilizado no salmo 1 como medita, Sl 1.2. Enquanto os ímpios buscam e lutam por sua autonomia do Criador; o bem aventurado encontra seu prazer na lei de Deus, ao passo que os ímpios se revoltam contra ela, veja Rom 1.21-23. Em segundo lugar, se os pensamentos dos ímpios são fúteis, a prática é semelhantemente fútil e sem valor.

Dito isto, notamos aqui neste salmo, que a tese popular do livre arbítrio(autonomia do homem) se quebra. Pois NINGUÉM pode ser totalmente independente de Deus, ainda que creia nisso. O Senhor permanece sustentando toda a Sua criação, mesmo aqueles que estão em clara rebeldia contra Ele, veja Mt 5.43-45.


II – O Rei Bem Aventurado: A rebeldia da assembleia formada pelas nações, também é contra o Ungido do Senhor, 2.2. Essa é uma das formas que a Bíblia se refere ao rei de Israel no AT, pois assim como os sacerdotes, ele era ungido com óleo antes de poder reinar sobre a nação. Era desse modo que ele era capacitado por Deus, veja 1Sm 16.13.

A diferença contudo neste salmo, é a fonte de sua autoridade. O Ungido encontra se na posição de rei porque o Senhor o fez rei, 2.6. O Ungido ou Rei do salmo 2 também se compromete a proclamar a lei ou decreto do Senhor quanto à sua pessoa, 2.8. De modo que o Salmo 2, assim como o Salmo 1 é um contraste entre dois grupos: os reis da terra, e o reino cujo cabeça é o Ungido do Senhor.


III – Promessas de Deus ao Rei Bem Aventurado: Uma curiosidade sobre este salmo é que, apesar de não ter um título onde é indicado seu autor, a Bíblia o identifica em Atos 4.25, citado pela Igreja em oração.

Por isso, quando Davi diz que proclamará o decreto do Senhor, ele tem em mente o relacionamento exclusivo que o Senhor prometeu ter com a sua dinastia, como um pai que se relaciona com seu filho. Davi recorre à Aliança.


IV – Advertência para que se Abandone a Loucura, Buscando Refúgio: Davi termina o salmo 2 aconselhando os seus inimigos. Três observações são feitas. Primeiro, aqueles que gritam sua autonomia diante de Deus precisam suspender sua rebeldia e aceitar a advertência. Em segundo, devem abandonar a rebelião e servir ao Filho, isto é, o Messias, ou Rei de Israel. Se não o fizer, o próprio Rei Naquele dia, fará com que seu caminho pereça, Sl 1.6. E em terceiro, a única forma de fugir do destino terrível que espera os rebeldes é buscando refúgio, Sl 2.12. Resta então responder à pergunta: em quem eles devem se refugiar?


V – Só um Reino é Eterno: As promessas feitas pelo Senhor e relembradas por Davi no salmo 2 deixam claro que, um dia, somente o trono de Davi/Ungido permanecerá para sempre. O principal motivo pra isso, é que somente esse reino tem como marca o prazer na lei do Senhor, Sl 1.2e a proclamação do seu decreto, Sl 2.7. Portanto é um reino firmado na justiça divina.

Contudo, nem Davi nem seu filho Salomão ou qualquer outro rei de sua linhagem guardou plenamente a lei de Deus. Por isso a esperança do povo do AT era pelo momento em que viria um rei nascido da linhagem de Davi que governaria todas as nações com cetro de ferro. Em Atos 13.27-33; Paulo mostra o cumprimento desta esperança Messiânica na Pessoa e Obra do Cristo.

Deus fez a promessa a Davi de que aquele que seria chamado de Filho poderia pedir as nações por herança, Sl 2.7-9. Porém, de todos os descendentes de Davi, somente um foi considerado digno de fazer tal pedido, por ter cumprido piamente a lei, veja Ap 5.1-5;9-10. Cristo, o Cordeiro de Deus é este. Que tendo feito o pedido, toda a autoridade lhe foi dada no céu e na terra.


Conclusão: Cristo é o rei do salmo 2, como aprendemos neste capitulo. O rei em quem aqueles que um dia eram rebeldes podem se refugiar. Como contudo, fazer isso? A dica está no próprio conselho sobre o refugio: “bem aventurados todos os que nele se refugiam”. A única forma que encontramos de se refugiar no rei é identificando se com ele.


Juliana Correia 

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