JANELAS DA ALMA: Estudos Bíblicos no Livro dos Salmos

Capitulo 01 – Introdução Geral: O Objetivo dos Salmos

Texto Base: Salmo 150


Introdução: Fazendo uma rápida pesquisa sobre os livros da Bíblia mais lidos no mundo; é quase totalmente correto afirmar que o livro dos Salmos, está entre um dos mais lidos no mundo. É muito comum vermos em algumas casas, bíblias abertas por exemplo, no Salmo 23 ou no Salmo 91. Assim, é certo dizer que o Saltério(coleção dos salmos), seja talvez o livro mais especial dentro do contexto dos 66 livros das Escrituras.

Da mesma forma que todos os demais livros da Bíblia cujo propósito é a glória de Deus, outro propósito deste livro foi ser um instrumento do povo de Deus na adoração ao Senhor.


O nome salmo, vem do termo grego psallo que significa cântico que era entoado com instrumento de corda. O termo hebraico mais correto é tehilim = cântico de louvor ou louvor.



Atanásio(373 d.C.), falando sobre o Saltério certa vez disse que “os salmos são palavras dadas por Deus para que as devolvamos a Deus”.

Para entender como o Saltério conduz o leitor à adoração, vamos aprender ao longo deste Estudo que o livro possui:


1 – uma estrutura

2 – uma introdução

3 – uma conclusão


O estilo literário é a poesia em forma de cântico, e os antigos usavam muito a forma de paralelismo; que é a repetição de palavras ou termos sinônimos para fundamentar e fortalecer um argumento. Ex: Sl 1.1. Assim, temos no livro dos Salmos, o hinário da Bíblia bem como do Povo de Deus ao longo dos séculos.


I – A Estrutura do Livro é para a Glória de Deus: A coleção dos 150 salmos foram divididos dentro de cinco sessões ou livros:




LIVRO I – Base: Gênesis

Salmos 1_41

LIVRO II – Base: Êxodo

Salmos 42_72

LIVRO III – Base: Levítico

Salmos 73_89

LIVRO IV – Base: Números

Salmos 90_106

LIVRO V – Base: Deuteronômio

Salmos 107_150


Quando lemos com atenção cada salmo, podemos encontrar a mesa divisão da Torah, sendo a estrutura de cada salmo que inicia cada divisão com o título “Livro I”, e o final de cada salmo digamos “transitório”, termina com uma expressão de louvor:


Bendito seja o SENHOR para sempre! Amém e amém(41.13; 72.18-19;89.52;106.48)


Muitos salmos foram escritos ao longo da formação de Israel enquanto nação. E embora o grande rei Davi seja lembrado como autor/compositor da maioria deles(73)1; outros nomes se destacam na autoria dos salmos como Jedutun(03), Asafe(12), os filhos de Corá(11), Salomão e Moisés. Agora, quando pensamos no Saltério em termos de coleção de cânticos digamos, selecionados; o propósito do organizador/editor foi de que cada uma das cinco divisões seja uma expressão clara de adoração. Independentemente do tipo de salmo, todos os salmos, mesmo os que expressam a mais profunda angústia do salmista – ex Sl 6.5-6, ainda sim são uma expressão de louvor ao Senhor.


II – A Introdução do Livro dos Salmos é para a Glória de Deus: Não devemos esquecer que o organizador dos salmos, foi divinamente inspirado por Deus na compilação do Saltério. Dito isto, é interessante notar que o Salmos 1 foi a escolha do mesmo para iniciar todo o livro. Ele foi criteriosamente escolhido para servir de introdução geral ao livro.

É importante também destacar que este salmo aponta que apenas um grupo ou linhagem de pessoas pode fazer parte da Assembleia ou congregação dos justos que adoram ao Senhor. Ao passo que outro grupo, esta participação é vedada, 1.5.

Em termos de introdução, o salmo 1 indica um dos temas que o Saltério todo abordará, sem contudo destacá-lo. Cabendo portanto aos demais salmos detalhar aos poucos o tema “a congregação dos justos”.

Jerônimo2, afirmou que salmo 1 era “a porta de uma mansão”. Assim, iniciar a leitura dos Salmos pelo salmo 1 é entrar em um simbólico espaço de adoração.


III – A Conclusão do Livro é para a Glória de Deus: Falamos das várias evidências de que o livro dos Salmos foi organizado como um livro estruturado. Este fato se confirma também pela evidência de que o livro também possui uma conclusão. De modo que, assim como o salmo 1 funciona como uma introdução geral do Saltério; os salmos 146_150 foram igualmente colocados no final do livro, principalmente porque todos começam e terminam com o termo aleluia. Termo este que é a tradução de duas palavras do hebraico, hallû yah; que significam louvai ao Senhor.

De modo que o livro termina com a repetida ordem para que o povo de Deus O louve. Como já demonstramos, este livro não é um mero compilado de poesias aleatórias e jogadas ao vento. As 150 poesias em forma de música nos apresentam a forma como o Reino de Deus molda a vida daqueles que servem ao Senhor enquanto aguardam o momento em que o próprio Senhor dará fim aos reinos que se opõem ao Seu.

Portanto, a conclusão do Saltério conclama à adoração todos os grupos que são alvos da benevolência deste Reino:


Salmo

Adorador

Ordem ou compromisso com a adoração

146

O cristão/rei de Israel individualmente

Louvarei ao Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus enquanto viver. 146.2

147

Jerusalém/o povo de Israel

Louva, Jerusalém, ao Senhor; louva, Sião, ao teu Deus. 147.12

148

Toda a criação

Ordem declarada em todo o salmo

149

Assembleia dos santos

Cantai ao Senhor um novo cântico e o seu louvor na assembleia dos santos. 149.1


IV – Aquele que Conduz a Adoração: Foi visto que o louvor a Deus se dá principalmente naquilo que os salmos chamam de assembleia dos santos ou congregação dos justos; expressões estas que apontam para o povo de Deus, cujo caminho o Senhor ama, 1.6.

No contexto histórico em que este livro foi compilado, bem como os salmos foram produzidos individualmente, o povo designado como assembleia dos santos evidentemente era a nação de Israel, 149.1-2. Mas, um olhar mais detalhado no salmo 107 por exemplo, nota se profeticamente que esta assembleia seria ampliada para conter todos os poderes da terra, 107.1-3.

Além da presença do grupo que adora, destaca- se também a participação de um indivíduo. Quem seria essa pessoa? Bem; pelo contexto apenas dos salmos, fica muito difícil identificar quem é esta figura que é citada em muitos salmos, louvando ao Senhor junto com o povo de Deus. O salmo 40 por exemplo, aponta este indivíduo como o rei de Israel, 40.9. Mas, quando olhamos para alguns salmos, que falam deste personagem, faz-se referência a Jesus. Compare por exemplo Hebreus 10.5-7 com o salmo 40.6-9. Mas sem dúvida, a citação mais marcante a respeito da obra de Cristo, se encontra no salmo 22, citado pelo autor aos hebreus no capitulo 2:


Salmo 22.22-23

Hebreus 2.11-12

A meus irmãos declararei o teu nome; cantar-te-ei louvores no meio da congregação; vós que temeis o Senhor, louvai-o; glorificai-o, vós todos, descendência de Jacó.

Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vem de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-te-ei louvores no meio da congregação.

Quando o povo de Deus canta ao Senhor, Cristo canta junto.


Conclusão: Se quisermos aprender a louvar a Deus, lhe rendendo graças, e até mesmo lamentar para a Sua glória, leiamos, meditemos, oremos e cantemos os salmos. Estudar os salmos é um bom começo para aprendermos o que dizer e como nos dirigirmos a Deus. Afinal, estas foram palavras dadas PELO PRÓPRIO Deus, para as devolvermos a Ele.


Juliana Correia



1Lasor, Willian Sanford, Introdução ao Antigo Testamento, São Paulo, Vida Nova, 2002

2Tradutor da Bíblia para o Latim, a popularmente conhecida Vulgata Latina. Tradução esta adotada pela Igreja Romana 

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