SÉRIE ALIANÇA
Capitulo 03: O Contexto da Aliança
A comunidade da Aliança
Texto Base: Efésios 1.4-5
Introdução: De acordo com as Escrituras, a Aliança de Deus estabelece a vida na comunidade do Pacto/família da Aliança. Em Cristo por meio da adoção, Deus estabelece um relacionamento pessoal e individual conosco. Dito isto, duas perguntas para nossa reflexão estão diante de nós: Por que isso é importante? Como desenvolver isso? É o que abordaremos neste capitulo.
I – A Entrada para a Comunidade da Aliança: Deus planejou nossa adoção como filhos, antes da criação do mundo, e nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis diante Dele por meio da obra de Cristo. Essa adoção, não se embasa em qualquer “boa obra” ou mérito humano; mas exclusivamente na Obra de Cristo na cruz em nosso favor.
A Comunidade da Aliança, vai muito além da busca egoísta por mera satisfação pessoal; é a reunião dos filhos de Deus, unidos pelo parentesco com nosso irmão mais velho – Jesus. Como membros dessa família, assim como pela Fé em Cristo adquirimos o privilégio e as bençãos da Aliança; temos também a responsabilidade de promover, nutrir e cultivar uma visão comunitária que testemunhe nossa adoção.
II – A Comunidade da Aliança no Antigo Testamento: Como já dissemos em outro artigo sobre o Aliancismo; a Aliança estabelecida por Deus ao Seu povo, visa não apenas o indivíduo, mas atinge também a família, tendo sua extensão e continuidade até a formação da Igreja de Cristo. Por isso, ao trabalharmos sobre o conteúdo da Aliança, é importante trabalharmos sobre a importância dos sinais e símbolos dessa Aliança no curso da História bíblica, culminando na manifestação da presença divina dentro da cada crente hoje.
Origem da Comunidade da Aliança; Deus estabeleceu sua relação com as famílias desde o início, escolhendo Abraão para dele formar uma grande nação. Israel no AT, serve como a representação física da Igreja espiritual, e sua trajetória ao longo de todo o AT, aponta para a vida sob a Aliança de Deus.
Sinais da Aliança; Os sinais introduzidos na Aliança de Deus com Abraão apontavam para algo mais profundo e mais completo. A circuncisão, introduzida com Abraão, servia como sinal visível/físico de que Abraão e seus descendentes pertenciam ao Deus que fez com eles Aliança. Com a vinda de Jesus, o batismo agora, é o sinal visível de nossa inclusão na família da Aliança. A páscoa, principal ritual cúltico para recordar o livramento e libertação divina da escravidão; agora é simbolizada por meio da Ceia do Senhor, após a ressurreição de Cristo, marcando a nova promessa pactual.
Tabernáculo e Templo; Durante a peregrinação no deserto e no estabelecimento de Israel como uma nação Teocrática; o tabernáculo e posteriormente o templo construído por Salomão, simbolizavam a presença constante de Deus no meio do Seu povo. O templo em Jerusalém substitui o tabernáculo como o local de adoração e sacrifício.
Presença divina hoje; Hoje o templo de Deus reside no coração de cada crente. A presença divina nos diferencia como Sua comunidade. E essa promessa divina permanece: Ele escolheu e santificou Sua Igreja, para Seu nome esteja nela perpetuamente – Ex 33.16. É uma manifestação tão poderosa de Sua graça, que deve impactar a cultura, a sociedade, ao nosso redor. Seguir os Decretos de Deus e ensinar o Seu povo a viver em Aliança reflete nosso relacionamento pactual com Ele, transformando não apenas nossa vida, mas também o mundo ao nosso redor.
III – A Comunidade da Aliança no Novo Testamento: E como também já dissemos no capitulo anterior, a Aliança de Deus com Seu povo É APENAS UMA, sendo que o Novo Testamento cumpre as promessas do Antigo. Não são “dois povos distintos” - Israel e Igreja ou Israel x Igreja; mas UM SÓ povo da Aliança ou Comunidade da Aliança. E sendo o Novo Testamento o cumprimento destas promessas, temos como características desta Comunidade:
Centralidade de Cristo; Jesus é o Mediador da Nova Aliança. Todas as promessas do Antigo Testamento apontavam para Ele em suas muitas figuras. E todas se cumprem piamente Nele. É Ele quem nos redime por meio de Sua morte substitutiva na cruz, e por meio Dele, os crentes são feitos filhos de Deus pela Fé, compartilhando sua herança como co herdeiros de Deus, tanto como indivíduo, como na comunidade da Aliança.
Amor como marca distintiva; Jesus definiu o amor entre os cristãos como a característica fundamental da comunidade cristã, Jo 13.34-35, sendo o amor uns pelos outros, o novo mandamento que distingue Seus discípulos.
Vida comunitária; após os eventos no Pentecoste, com o crescimento da Igreja, Lucas registra as marcas dos primeiros cristãos: enfase à doutrina dos apóstolos, à comunhão, ao partir do pão(ceia do Senhor) e às orações; destacando-se partilha, alegria, a simplicidade e o louvor a Deus, que conduziu ao crescimento da Igreja.
Identidade em Cristo; Paulo cita em muitas de suas cartas, a união dos crentes como Família de Deus. Somos edificados sobre o fundamento dos apóstolos do Novo Testamento e dos profetas do Antigo Testamento; sendo o Cristo, a pedra angular ou fundamental, Ef 2.19-22. Ele também incentiva a luta pela compreensão plena do mistério de Cristo por meio do amor e da união, Cl 2.1-3.
Compromisso com a Comunidade da Aliança; a participação na Comunidade da Aliança não é opcional, ela é fundamental para todos os cristãos. Ela reflete a profundidade do relacionamento com Deus. Pedro e Paulo exortam os crentes a viverem em serviço, amor, perdão e oração; evidenciando o Fruto do Espirito, Gl 5.22-23; reiterando o chamado à proclamação das virtudes divinas como povo eleito, 1Pe 2.9-10.
Conclusão: Desafios contemporâneos ameaçam a comunhão cristã. Isso inclui as pressões culturais e isolamento social. Contudo, esses desafios não justificam nossa passividade e nossa aceitação como se isso fosse algo normal. Eles exigem de nós um esforço e entusiasmo maiores para fomentar e fortalecer a vida comunitária em nossa igreja(local). Entretanto, é também essencial para essa comunidade que seja fundamentada em um ensino cuidadoso. A soberania e o pacto de Cristo devem ser o estímulo, a visão e o valor de nossa vida comunitária pactuada.
Juliana C. de Souza
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