SÉRIE: Os "ISMOS DE NOSSOS DIAS" Ideias Atuais à Luz das Escrituras
Capitulo 15: O Teísmo Aberto
Um Ataque Direto A Soberania e a Providência Divina
Texto Base: Provérbios 16.33
Introdução: Para resumir esta introdução ao assunto deste capitulo, usaremos por base a definição que os defensores deste Movimento entendem quanto ao ser de Deus. A citação é do livro The Openness of God:
“Deus em sua graça, concede aos seres humanos liberdade significativa para cooperar com, ou ir contra, a vontade de Deus para suas vidas… Respondemos às iniciativas graciosas de Deus e Deus reage às nossas respostas e assim por diante. Deus se arrisca nesse relacionamento recíproco… Às vezes, Deus sozinho executa seus objetivos, em outras ocasiões, Deus age com decisões humanas, adaptando os seus planos para que se ajustem às situações inconstantes. Deus não controla tudo o que acontece. Ele está aberto a receber infirmação de suas criaturas”.
O que podemos perceber com esta citação? Simples: que o deus apresentado por este autor a quem nos convida a caminhar, definitivamente não é o que se revelou nas Escrituras. Neste capitulo, analisaremos os perigos do Teísmo Aberto e como ele destrói a Doutrina da Soberania e da Providência de Deus.
I – O Que é o Teísmo Aberto?: Para entendermos o que estamos refutando enquanto Movimento Herético, analisemos o conceito de Teísmo; para entendermos porque o Teísmo Aberto, e o que ele defende; são um erro grotesco.
O teísmo é a crença na existência de um Deus pessoal, criador e atuante no universo (provisão e intervenção)1. Já o teísmo aberto (ou teologia da abertura) é uma perspectiva teológica que defende que Deus, por amor, concedeu livre arbítrio genuíno aos seres humanos e, para que esse livre arbítrio seja real, Deus limitou voluntariamente sua onisciência sobre o futuro. O foco aqui é justamente o conceito de livre arbítrio indeterminista defendido por este Movimento. Este conceito não é novo, pois esta ideia quanto ao livre arbítrio é encontrada segundo muitos defensores do TA já no filósofo Filo de Alexandria(aproximadamente 20aC a 50aC)2.
O livre arbítrio indeterminista é a ideia de que o homem age à parte de uma determinação divina. Em outras palavras mais simples: significa que Deus apenas PREVÊ as ações do homem, mas não as determina. Portanto, Deus não é o soberano de Sua criação, mas um expectador passivo das ações da criatura. De maneira que tudo o que acontece, é obra do destino ou do acaso.
O problema do TA vai mais longe, pois esta tese coloca limitações na Onisciência Divina! Pois segundo o TA, Deus conhece tudo o que pode ser conhecido, mas que o futuro ainda não está totalmente determinado, especialmente no que diz respeito às decisões livres dos seres humanos. De modo que o TA embora se diga “evangélico”; é totalmente oposto às Doutrinas fundamentais como a Soberania de Deus e o Seu cuidado com a Sua criação e especialmente com Seus eleitos – a Providência. Uma vez que o deus do Teísmo Aberto nega que:
1. Deus conhece todo o futuro de forma exaustiva e certa.
2. O futuro já está determinado ou plenamente conhecido.
As ideias defendidas pelo TA são portanto, heresia clara.
II – Deus é Soberano: Em toda a Bíblia, é bem claro que as criaturas racionais, anjos e homens, tem livre arbítrio3. Contudo, a mesma Bíblia, também afirma claramente a absoluta Soberania Divina. De modo que, o domínio de Deus é total e absoluto, o que significa que Ele deseja o que determina, e executa tudo aquilo que deseja, conforme o que determinou. E NINGUÉM pode deter Sua mão ou impedir Seus planos(leia-se decretos).
Reafirmamos: Deus é soberano tanto em Sua vontade quanto em Seu poder. De modo que o que Ele determinou, não tornará atrás. Portanto, Deus sustenta todas as coisas com a Sua onipotência, determinando os fins para que a Sua vontade se cumpra – 1Rs 22.19; Is 6.1; Ez 1.26; Dn 7.9; Ap 4.2; Ex 15.18; Sl 47;93;96.10;97.1-5; 146.10; Pv 16.33; 21.1; Is 24.23; 52.7; Dn 4.34-35; Mt 10.29-30; Gn 14.19; Ex 18.11; Dt 10.14,17; 1Cr 29.11-12; 2Cr 20.6; Ne 9.6; Sl 22.28; 47.2-3,7-8; 50.10-12; 95.3-5; 115.3; 135.5-6; 145.11-13; Jr 27.5; Lc 1.53; At 17.24-26; Ap 19.6. Conclui-se assim que, rejeitar a soberania de Deus é rejeitar o que as Escrituras afirmam.
III – A Providência Divina: Do mesmo modo que o Deus das Escrituras como Soberano, rege e governa sobre o curso da Historia; a mesma Escritura enfatiza a providência divina do Criador, que de acordo com a Sua vontade:
1. mantém todas as criaturas como seres
2. envolve-se em todos os eventos
3. dirige todas as coisas a seu fim determinado.
Como Criador e Provedor desta criação; Deus tem o comando total e completo deste mundo. Podemos muitas vezes não perceber, mas Seu governo é absoluto – tanto sobre o bem, como o mal.
Um dos argumentos dos teólogos do TA, é que Deus é amor, e portanto não admitiria o mal. Mas o que eles ignoram, ou melhor, negam é a afirmação bíblica que ensina que Deus, em Sua providência, faz uso do mal a fim de cumprir os Seus Decretos; Jó 42.2; Is 45.7. Resumimos esta afirmação em uma frase – Deus permite o mal, At 14.16; puni o mal com o mal, Sl 81.11-12; Rm 1.26-32; transforma o mal em bem, Gn 50.20; At 2.23; 4.27-28; 13.27; 1Co 2.7-8; usa o mal para testar e disciplinar aqueles a quem ama, Mt 4.1-11; Hb 12.4-14; e por fim um dia restaurará completamente Seu povo do poder e presença do mal, Ap 21.27; 22.14-15.
Conclusão: Deus não é pego de surpresa pelos eventos que acontecem em nosso mundo, muito menos por qualquer decisão de Suas criaturas morais livres. O Teísmo Aberto é mais uma tentativa de atender ao desejo humano falho de não ter ninguém que seja soberano sobre ele. O homem quer ser livre, quer ser independente, como sugerido por Satanás no Éden, “igual a Deus”.
Somos confortados por saber que temos um Deus sobre nós, que determinou todas as coisas, que conhece todo o curso da Historia e que é Todo Poderoso. Aquece o nosso coração a certeza de que tudo está debaixo do cuidado Divino, que se revelou a nós e que nos permite chamá-lo de Pai. Soli Deo Glória!
Juliana Correia
2Foi um importante filósofo judeu que viveu , na cidade de Alexandria, um dos maiores centros intelectuais do mundo antigo.
3Poder de decisão pessoal naquilo que fazem, segundo a inclinação de sua natureza, como definido segundo a Confissão de Fé de Westminster, capitulo 9: Do Livre Arbitrio
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