SÉRIE Os "ISMOS DE NOSSOS DIAS Ideias Atuais à Luz das Escrituras
Capitulo 13: O Libertinismo e o Legalismo
Afinal – Lei ou Graça?
Texto Base: Mateus 5.17-22; Romanos 8.1-4
Introdução: Hoje nos voltaremos à um tema, certamente discutido amplamente na Igreja de Cristo ao longo dos séculos; contudo sempre retornando com uma nova roupagem na tentativa de enganar aos crentes. De fato, estamos vivendo tempos em que tudo é permitido, e o conceito de absoluto já não é mais consenso no chamado meio evangélico. O que nós temos são dois extremos perigosos quanto a nova vida do crente. De um lado, temos aqueles que defendem que não há um padrão ou regra de conduta a ser seguido. Outros defendem um “desfrutar a liberdade cristã no Espirito”; mas não entendem o que isso de fato significa. Afinal qual é o padrão ético que deve ser seguido pela Igreja? Neste capitulo, aprenderemos como o Espirito conduz a Sua Igreja mediante as Escrituras.
I – Uma Lei para a Vida: Os crentes do Antigo Testamento, semelhantemente como nós, foram salvos pela graça, por meio da fé em Cristo. E, foram ordenados a guardar a Lei. Dito isto, vemos no nosso primeiro texto, Jesus sendo confrontado quanto a supostamente abolir a Lei. Mas o que vemos é uma resposta enfática de Jesus sobre isso. Ele veio cumprir. O que Jesus está dizendo com isso; é que a Lei continua em pleno vigor para o Povo de Deus, até a Consumação. Isso significa que toda a Lei, até a menor letra, continua em vigor até seu pleno propósito ser cumprido.
Agora, é importante ressaltarmos o terceiro uso ou finalidade da Lei. Além de nos convencer do pecado e reter os malfeitores; ela também foi dada para nos instruir. Ao dedicar dois capitulos de suas Institutas a explicar o valor e a finalidade da Lei para o crente; Calvino argumenta que a Lei está cancelada no que diz respeito à maldição, não ao seu ensino:
“Quando o Senhor testifica que não veio para abolir a Lei, mas para cumpri-la, que até que se passem o céu e a terra não passará da Lei nem um til ou um i sem que tudo se cumpra[Mt 5.17-18], confirma ele amplamente que; por sua vinda nada seria diminuído da observância da Lei. E com razão, uma vez que ele veio antes para este fim, a saber, para que lhe remediasse as transgressões. Por parte de Cristo, portanto, permanece inviolável o ensino da Lei, a qual, instruindo, exortando, reprovando, corrigindo, nos molda e prepara para toda a boa obra”.1
Mas guardar a Lei então não seria Legalismo? Resposta: sim se Jesus se refere a tentativa de ganhar a salvação pela guarda da Lei; ou se trata-se de seguir rigidamente regras feitas pelo homem que extrapolam o seu ensino. Mas segundo todo o ensino de Cristo; OBEDECER a Deus JAMAIS é Legalismo. Pois segundo o ensino de Paulo aos romanos, andar no Espirito é justamente ter o preceito da Lei se cumprindo em nós – 8.4. Pois a base da Lei É a coisa amorosa a fazer – veja Rm 13.8-10.
II – Liberdade Cristã Preservada: O conceito Reformado sobre a Lei é bem definido; pois ele corrige as liberdades, sem cair no Legalismo. Pois em Cristo, o cristão de fato experimenta a verdadeira liberdade ao mesmo tempo em que obedecer a Deus é a correta observância à Sua Lei.
Assim, há liberdade cristã no uso do alimento e da bebida. Condenamos absolutamente a glutonaria, e semelhantemente a embriaguez. Contudo, abuso não é o mesmo que uso. De modo que a liberdade cristã inclui eu me abster de certos alimentos ao mesmo tempo que inclui o beber com moderação. Veja, leis feitas pelo homem por mera abstinência moral ou mesmo uma imposição que nem mesmo a Bíblia coloca; obscurece a graça.
O mesmo pontuamos sobre a liberdade nas escolhas vocacionais. E ainda pontuamos quanto a liberdade nas atividades de lazer. Um cristão pode praticar esportes, desfrutar de uma boa música e ler bons livros. Para ter uma vida santa e piedosa, não é necessário que ele trabalhe e viva integralmente na igreja.
Então como resolver esse ponto de tensão? Como sempre dissemos, novamente afirmamos: nossa régua e Autoridade final é a Escritura. Isto colocado, nosso padrão de medir nossa liberdade em obediência a Lei é: isto é condenado na Escritura? Se é, devemos cumprir. Se não é, estamos livres para fazer ou não. Com o gosto e a sensatez ditarem.
III – Ordem Restaurada: Os Salmos 19 e 119 listam os benefícios que vêm pelo conhecimento da Lei. Inclui sabedoria, purificação, pureza, conforto e direção. Afirmamos: viva consistentemente com a Lei Moral de Deus e você viverá sabiamente.
Nosso tempo está de cabeça para baixo exatamente por causa da inversão de valores. E novamente, olhando para as Escrituras, o amor a Deus e ao nosso próximo, é o cumprimento da Lei.
Conclusão: Num tempo em que tudo é o extremo – seja na libertinagem do “estamos no tempo da graça, eu posso fazer tudo”; seja no legalismo do “se você comer isso é pecado, se você não observar isso você vai para o inferno” e etc; reafirmamos: restabelecemos a Lei de Deus com seus padrões absolutos de certo e errado. Contudo, fazemos isso, sem a escravidão do Legalismo. Fazemos isso de modo a manter a liberdade cristã bíblica e a alegria da vida cristã. Que Deus nos conserves firmes em Sua Palavra. Amém.
Juliana Correia
1Livro II, Capitulo VII, Parágrafo 14
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