SÉRIE ALIANÇA

Capitulo 02: O Conteúdo da Aliança

A presença de Deus junto ao Seu povo

Texto Base: Apocalipse 21.3


Introdução: O relato da criação do homem está repleto de ternura, emoção e propósito familiar. Explico: a criação era o lar; Adão e Eva, os filhos. Deus não só preparou um lugar, mas também interagia com eles, num relacionamento, visitando e conversando. O pecado separou o homem da presença de Deus. Contudo; Deus em Seu amor e por Sua graça, soberanamente nos atraiu para um relacionamento com Ele. Desfrutar deste privilégio glorioso, requer uma busca intencional e disciplinada. Viver na presença de Deus, nos distinguirá de todas as outras pessoas na face da terra.


I – A Desobediência Gera Separação: Ao criar Adão, Deus firmou com ele e com sua semente uma Aliança; prometendo Sua presença contínua. Esse Pacto implicava em um compromisso do Criador com a criatura, dando-lhe direitos. E tinha como condição, a perfeita obediência dos nossos primeiros pais. Mas… como já aprendemos ao ler os primeiros capítulos do Gênesis; ao comerem do fruto proibido, eles quebraram a Aliança e seu relacionamento perfeito com Deus. A consequência, como também já aprendemos, foi a morte espiritual(separação e perda da comunhão com Deus) e a expulsão do Jardim – Gn 3.23-24. Deus é Santíssimo, e portanto, nada impuro pode permanecer diante Dele, pois Sua santidade consumirá toda a impiedade. O salário do pecado é a morte, e aqueles que estão mortos NADA podem fazer para restaurar a vida. Como diz a nossa Confissão de Fé:


Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência como seu Criador; nunca poderiam fruir nada Dele,como bem-aventurança e recompensa, senão, por alguma voluntária condescendência da parte de Deus, a qual foi ele servido expressar por meio de um pacto”1


II – A Graça Gera Restauração: Apesar da Queda de nossos primeiros pais, e das suas consequências; Deus por Sua Graça e amor, preparou um caminho para a redenção da humanidade. Deus poderia simplesmente abandonar a Sua criação; contudo escolheu voltar ao jardim, chamar o homem e cobrir nossos pais com peles – Gn 3.8-9,21. Aqui nós encontramos a essência da Aliança da Graça: Deus vem ao nosso encontro, nos chama e cobre nossa nudez espiritual. Ele nos resgata quando ainda éramos pecadores mortos em nossos pecados – Ef 2.1-9.

É ainda no Éden que Deus faz uma promessa a nossos pais e pronuncia a sentença sobre Satanás, Gn 3.15, o que conhecemos como Proto Evangelho. Agora, é importante frisar: O Pacto/Aliança de Deus com o homem ou entre Deus e o homem, é UM SÓ! E sempre foi APENAS um somente. Deus não estava estabelecendo, mas REVELANDO a Aliança da Graça, que tem em Cristo o seu fundamento e o mediador. A Aliança não foi uma “resposta ao pecado, um plano B de Deus”; mas um plano eterno, preestabelecido por Deus antes da fundação do mundo, com Cristo, o descendente da mulher que esmagou a cabeça da serpente veja Ap 13.8; 1Pd 1.19-20. E o Espirito Santo sela esta redenção em nosso coração, aplicando a graça imensurável de Deus que nos chama de volta à Sua presença.

Semelhantemente à revelação progressiva de Deus ao longo da História, culminando na Pessoa e Obra de Cristo, a perfeita revelação do Ser Divino; ao longo de toda a Escritura, de modo progressivo, Deus desenvolve a sua Promessa Pactual com o Seu povo ao longo da História – Gn 17.7; Ex 6.7; Dt 29.10-13; 2Cr 5.1, 13-14; 6.1-2; Jr 24.7; Zc 8.8; Jo 1.14; Mt 1.23; Jo 14.2-3; Mt 28.19-20; 1Co 6.19; 2Co 6.16; Ap 21.1-5. As alianças com Noé, Abraão, Moisés e Davi não são “substitutivas”; mas se complementam, apontando e culminando em Cristo, a Semente da mulher que finalmente esmaga a cabeça da serpente.


III – Cristo: Garantia da Presença de Deus: Cristo é Aquele que garanti a presença contínua e permanente de Deus com o Seu povo, garantindo uma vida sob a graça Divina. Essa obra, independente de qualquer ação ou mérito humano; fundamenta-se na Providência Divina; revelando a gloriosa verdade de que existimos em Sua presença, por Ele vivemos; o que nos traz propósito, segurança e alegria à vida. A vida na presença de Deus torna todo lugar santo, eliminando a divisão entre o sagrado e o secular na vida do cristão. Na Aliança entre Deus e o Seu povo, TUDO é sagrado, tudo é vivido e feito para a glória de Deus.

Moisés profundamente esta Verdade, e não se contentou com menos. Moisés entendeu muito bem o que a benção da presença Divina implicava para sua vida e obra como líder da nação israelita. A mediação que Moisés faz em favor de Israel no episódio do bezerro de ouro, bem como as consequências, bem como a subsequente visão da Glória de Deus, reforçam a ideia de viver sob a promessa da Aliança Divina, refletindo a Glória de Deus em nossa vida. - veja Ex 32_34.


Conclusão: Nossa submissão à Aliança reflete nosso relacionamento pactual com Deus, fundamental para desfrutarmos das bençãos prometidas por Deus nesta Aliança. Mas, ressaltamos que, não adquirimos o livre acesso à presença do Deus da Aliança pela obediência. Ela apenas ratifica a realidade desse relacionamento – Jo 14.15. Em Cristo, fomos soberanamente atraídos para um relacionamento com Ele, oferecendo-nos o privilégio de viver em Sua presença. Isso é um privilégio que exige busca diligente e intencional de Sua santa presença. Viver para o Senhor nos diferencia e nos capacita a refletir Seu caráter em todas as esferas da vida.


Juliana C. de Souza





1Confissão de Fé de Westminster, Capitulo VII, Parágrafo 1 

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