SÉRIE: OS “ISMOS DE NOSSOS DIAS” Ideias Atuais à Luz das Escrituras

Capitulo 8: O Universalismo

8. Universalismo, No Final Tudo dá Certo

Texto Base: João 3.16; 36


Introdução: A crença universalista tem forte apego em nossa sociedade e no imaginário popular. Ao ponto inclusive de passar despercebido no julgamento de muitos cristãos; sendo até mesmo aceito por alguns grupos cristãos. Mas… apesar de sua grande popularidade, ela não possui fundamento bíblico e portanto; deve ser rejeitado pelos cristãos.


I – A Crença Popular: Basicamente, Universalismo, é a ideia ou crença de que no final(na consumação) todos serão salvos. Mesmo nesse segmento, existem duas opiniões a respeito. O primeiro grupo, defende a existência de “penas futuras” para o pecado. É a ideia do Dogma do Purgatório da igreja Romana, e a Reencarnação do Espiritismo. O segundo grupo, já não crê que na existência de penas futuras. Nesse caso, nega-se até mesmo o inferno. Em todo caso; ambos os grupos defendem o seguinte:


1. não existe pena ou punição eterna

2. Deus é Pai de todas as pessoas

3. Deus é amor


Com base nestas premissas, os universalistas se apoiam em algumas passagens(no geral fora totalmente de seu contexto), para tentar fundamentar seu argumento. Vejamos algumas:


Ezequiel 18.23; 33.11: De fato; Deus não tem prazer na morte do perverso. Porém, é importante perceber a luz do contexto de AMBAS as passagens, que ele está falando à casa de Israel, ou seja – ao povo da Aliança


João 1.29; 3.16; 4.42; Tito 2.11; 1Jo 4.14: Aqui, vemos um contraste entre a Antiga Aliança e a Nova. Na Antiga Aliança, o povo de Deus era o povo de Israel e todas as pessoas que por amor ao Deus de Israel eram inseridas na Aliança. Na Nova Aliança, já não existe mais esse limite nacional ou étnico para a Aliança. O Evangelho foi anunciado por todo o mundo conhecido, e assim tem sido até nossos dias; pois em Cristo, não há mais separação entre judeu e gentio, homem e mulher, rico e pobre, escravo ou livre – At 10.34 e 35; Rm 3.29; 10.11-13; Cl 3.11; Gl 3.28.


1Timóteo 2.4, 6: Sem dúvida, um dos textos mais usados ou mal utilizados para defender uma salvação universal. Contudo, quando olhamos para o CONTEXTO dessa passagem, veremos que Paulo ao dizer que Deus “deseja que todos os homens sejam salvos”; o apóstolo tem em mente a Obra expiatória de Cristo, que se entregou em resgate para todo AQUELE QUE NELE CRÊ.


2Pedro 3.9: Repare que no contexto desse verso, Pedro está falando do juízo divino sobre o impio. Portanto, com base no CONTEXTO deste verso, e em todo o capitulo, não há defesa do apóstolo de uma suposta “salvação de todo o homem sem exceção”. O texto fala do cumprimento da promessa de Deus quanto à consumação.


1João 2.2: Outro texto muito utilizado erroneamente para defender uma salvação universal. Mas… Quando João diz que Cristo é a propiciação pelos pecados do mundo, ele está afirmando que a EFICÁCIA do sacrifício de Cristo não é limitada aos pecados dos leitores de seus dias; mas ela alcança cristãos em todas as eras e em todos os lugares do mundo. E tem poder para expiar os pecados de todo o mundo. Contudo, para que isso aconteça, é preciso que o sacrifício substitutivo de Cristo seja aceito pela fé.


Como podemos ver até aqui; NENHUM destes textos ensina que todos os homens sem exceção serão salvos, principalmente independente de crer em Cristo ou não. A Bíblia nunca ensinou um caminho para a salvação diferente de Jesus. E contrariando o que filmes, séries e novelas costumam ensinar, vamos ao segundo ponto.


II – O que as Escrituras Definem: Uma vez demonstrado o engano do Universalismo, vejamos o que de fato a Bíblia ensina quanto a crença universalista.


1- Penas eternas: A Bíblia é clara em muitas passagens quanto a punição dos impios, não só futura, mas eternamente. Uma dessas passagens é a de Mt 25.46; onde lemos sobre o CASTIGO ETERNO dos incrédulos, bem como da VIDA ETERNA para os justificados.


2- A Paternidade de Deus: Definitivamente, Deus NÃO É Pai de todos os homens. Deus criou sim, todos os homens, e por isso eles são suas CRIATURAS. Agora, para que um pessoa seja de fato FILHA de Deus, é necessário nascer do Espirito, Jo 1.12. Assim, as Escrituras relacionam a filiação do crente com Deus, à uma relação de fé entre Deus e o crente. E essa relação está fundamentada na Aliança da graça em Cristo.


3- Deus é Amor: O fato de Deus ser mesmo amor, não muda também o fato de que Ele é também um Deus justo. Inclusive, vemos em muitas passagens tanto a santidade, quanto a justiça de Deus, Hb 12.29; Ex 15.11; Sl 99.4; 145.17; Ed 9.15; Ne 9.33; Sl 11.1-7. Deus é perfeito em TODOS os Seus atributos. E como é impossível que Ele negue a Si mesmo; Ele também precisa zelar por Sua santidade, executando a Sua justifica e manifestando a Sua ira sobre o pecado e quem o pratica.


4- Perdão e santificação: Segundo o Universalismo, no final todos sem exceção serão salvos. O problema nessa tese, é que se ela está correta; conclui-se que a Graça de Deus é inútil e mais ainda a pregação do Evangelho. Pois já que não há necessidade de perdão de pecados, também não houve necessidade da morte expiatória de Cristo na cruz, no final tornando toda a Sua obra expiatória e substitutiva, sem propósito.


5- Evangelismo e missões: Se no fim das contas todos serão salvos crendo em Jesus ou não; então todo o esforço missionário é inútil. Vale ressaltar que, denominações que abraçam os ensinos liberais, e em especial o ecumenismo e o universalismo sofrem e seguem sofrendo perdas enormes em sua membresia. Isso porque o universalismo joga uma pá de cal na necessidade do evangelismo e nas missões.


6- Não há salvação fora de Cristo: Via de regra, o Universalismo está relacionado em certa medida com o Ecumenismo. De fato e de verdade, Deus é um Deus de amor e graça, e jamais rejeitará aquele que se quebranta diante Dele. Contudo, a Bíblia afirma expressamente que; sem Cristo, NINGUÉM será salvo, At 4.12; 1Tm 2.5; Jo 14.6, 3.16. Não há outro modo para a salvação que não seja por meio de Cristo.


Conclusão: O Universalismo é uma crença que não tem qualquer fundamento bíblico. Dizer que aqueles que rejeitam a provisão de Deus para a salvação por meio de Seu Filho serão salvos é diminuir a santidade e a justiça de Deus e negar a necessidade do sacrifício de Cristo em nosso favor. A frase “aqui se faz aqui se paga”, comum do Universalismo, não se aplica ao plano de Deus tanto para Seu filhos, quanto para todos os que o rejeitam nesta vida.


Juliana C. de Souza

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