Série: O que a Bíblia diz sobre a Soberania Divina
Capitulo 5 – Ninguém é Igual a Deus
Texto Base: Isaías 40.12-25; 57.15
Introdução: Deus como eterno e absoluto; é também auto existente, ou seja – é livre de qualquer influência. Houve um período na Historia da Igreja em que o Cristianismo sofreu duros ataques de um ceticismo, grandemente influenciado pela Filosofia. Os homens foram distanciando Deus de sua vida, deixando o cada vez mais longe de suas práticas e vida diária; por considerarem que o Senhor, muito grande e ocupado, não se importava com o que acontecia com Sua criação.
Mas, como podemos ver no texto do profeta Isaías, as Escrituras harmonizam o ensino de que, embora Deus seja grande, Ele não está indiferente muito menos longe de nós. Ele é transcendente e imanente. E neste capitulo, trabalharemos mais a fundo sobre o atributo da Transcendência Divina.
I – Incomparável: O que é transcendência? Transcendência é o atributo de Deus de ser total e distintamente separado da criação(embora também sempre envolvido nela). A declaração de que Deus é transcendente significa que Ele está acima do mundo e antecede a criação1. Assim, podemos definir o conceito de transcendência Divina, sendo Ele tão separado e independente da criação que nada há no mundo que pode ser comparado a Ele.
É interessante observar o que ensina a Confissão de Fé sobre isso:
“Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espirito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões, é imutável, imenso, eterno, incompreensível, onipotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e absoluto, fazendo tudo para sua própria glória e segundo o conselho da sua própria vontade, que é reta e imutável. É cheio de amor, é gracioso, misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro galardoador dos que o buscam, e, contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia todo pecado; de modo algum terá por inocente o culpado”2.
Notemos que por duas vezes, a Confissão afirma que nosso Deus é imutável, e que as Escrituras afirmam que apenas Deus é assim. A imutabilidade de Deus define a segurança que temos em suas promessas. Aliás, Ele se REVELA dessa maneira aos homens - “EU SOU O QUE SOU”, disse Ele a Moisés; Ex 3.14. A imutabilidade de Deus é inerente ao seu ser e permeia todas as Suas obras.
Por isso não precisamos temer as mazelas deste mundo, pois como temos visto ao longo de nosso Estudo; nosso Deus é soberano sobre tudo e todos. E NADA foge do Seu controle ou propósito. Não há nada nem ninguém que possa ser comparado a Deus em poder, força, majestade e glória.
II – Deísmo Cristão: O deísmo é um Movimento do séc XVII, cuja premissa é a de que Deus está distante, uma vez que criou o universo, mas depois o deixou seguir seu curso sozinho, de acordo com certas “leis naturais” criadas igualmente por Ele3. Sua principal característica é a supervalorização da transcendência de um ser supremo – no caso, o Deus das Escrituras, para confiná lo como a causa primeira de tudo.
O deísmo supervaloriza a transcendência de Deus em detrimento de Sua imanência(que abordaremos no próximo capítulo), conforme vimos em conceito. O que acaba por trazer basicamente dois problemas.
O primeiro é que Deus não se importa nem se envolve com os homens. Todavia, as Escrituras apontam para uma direção totalmente oposta a proposta deísta, pois “nós céus estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo”; Sl 103.19. As Escrituras nos ensinam que o Reino de Deus abrange não somente o Seu cuidado providencial sobre tudo, mas também o Seu envolvimento com a Sua criação.
O deísmo tenta negar esse envolvimento alegando que a única revelação que nos fornece o conhecimento de Deus é a chamada revelação natura, fazendo da Bíblia, um “produto de composição meramente humana, sem a ação do Espirito Santo inspirando seus autores. Mas, a Bíblia é firme em sua própria defesa, ao afirmar que “toda a Escritura é inspirada por Deus”…; 2|Tm 3.16a.
O segundo é que o deísmo nega que os homens possam se achegar a Deus. Nesse sentido, ao homem só restaria então conformar se com esta vida aqui e agora. A Bíblia responde a essa premissa deísta na afirmação do apóstolo Paulo aos cristãos coríntios, “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”, 1Co 15.19.
O deísmo por fim, acaba por negar a necessidade da obra e da pessoa de Cristo, a maior e mais profunda revelação de Deus; Hb 1.1-4; Jo 14.9.
Concluindo, a proposta do deísmo é que o homem viva como se Deus não existisse. Ideia essa que se aproxima muito do ateísmo. E o risco de não estarmos atentos a esses modismos no meio do Cristianismo, e acabarmos por negar o próprio Deus, seus atributos e suas obras.
Conclusão: As Escrituras são claras no ensino de que o Deus a quem servimos é incomparável. Ele está assentado em seu trono, e a diferença entre o Criador e suas criaturas é imensa. No entanto, o Soberano Senhor se envolve com o mundo criado, tanto que enviou seu próprio Filho em favor de pecadores. Não podemos cair na falácia de que Deus está distante.
1GRENZ J. Stanley, Dicionário de Teologia, Vida, São Paulo, 2000
2CFW, Cap. II – De Deus e da Santíssima Trindade, 1; São Paulo, Mundo Cristão, 2001
3Dicionário de Teologia...
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