SÉRIE: AS SETE PALAVRAS DA CRUZ
4° Palavra: A Palavra de Angústia – Mateus 27.46; Marcos 15.34
Chegamos ao texto mais significativo de nossa proposta. O grito angustiado de Cristo na cruz ao experimentar em Seu corpo, todo o peso da culpa e do pecado do Seu povo.
Tanto Mateus quanto Marcos registram que houve trevas sobre a terra do meio dia até às três horas da tarde, ou seja, por 4 horas, a terra foi tomada de escuridão frente a derradeira morte de um inocente em favor de um culpado. Ao gritar estas palavras – Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?; Jesus está citando o Salmo 22, e seu primeiro verso, onde Davi experimenta a sensação de “abandono” ou “desamparo”, frente a perseguição que sofria. E muitos na História sofreram e morreram sendo inocentes: Abel, e todos os profetas do Antigo Testamento. Mas NADA, absolutamente NADA se compara ao que nosso Senhor experimentou naquela cruz por amor a mim e a você.
O profeta Isaías descreve muito bem esta cena:
“Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de tristeza e familiarizado com o sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima. Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças(dores), contudo nós o consideramos como castigado por Deus, por ele atingido e afligido. Mas ele foi transpassado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” - Isaías 53.3_6
A diferença de justos como Abel, e os profetas; é que ESTE que grita na cruz tamanho abandono, tamanha desolação; é DE FATO e DE VERDADE, INOCENTE. Imaginemos a cena: Jesus, aquele que em vida foi “cercado por multidões” para ouvir seus sermões e testemunhar de seus milagres. Aquele que tinha por perto 12 homens, escolhidos de um grupo seleto, para serem seus alunos, compartilharem de Seu Ministério, inclusive realizando curas, e pregando em Seu nome. Aquele que curou toda a sorte de doenças e enfermidades, ressuscitou mortos, expulsou demônios de tantas pessoas. E de quem foi declarado pelo PRÓPRIO Deus: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado”. Esse mesmo Jesus, agora pregado no madeiro, experimenta a pior sensação em sua carne, por amor do Seu povo – o abandono do Pai.
Quão terrível dor nosso Senhor suportou. E ainda que pensemos na dor física a qual foi submetido e que só de imaginar já se forma o nó no estômago; me refiro a sensação de que Deus o Pai, lhe “virou as costas”. Em seu maior momento de aflição, Cristo sente e sofre o abandono do Pai, por conta de todo o peso do pecado em Seu corpo! Nem mesmo seus amigos estavam com ele. Nem mesmo todas as pessoas agraciadas por seus milagres. Apenas sua mãe e as mulheres que o serviam estavam lá, contemplando ao pé da cruz seu sofrimento. Seu grito de dor desperta até mesmo a curiosidade de seus algozes. Contudo, lemos ainda em Isaías 53.10:
“Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão”
Deus entregou Seu Filho para sofrer e morrer em nosso lugar. Para que a Sua vontade prosperasse. E para que o Seu Nome seja glorificado. Obrigada meu Senhor, porque Seu abandono me trouxe aconchego nos braços do Pai. Porque Sua morte me trouxe vida.
Juliana Correia
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